SEU CORPO NÃO ENGORDOU. ELE SE PROTEGEU.
Você se olha no espelho e não se reconhece. A imagem parece pesada, retida, lenta. Talvez o jeans não feche mais. Talvez as fotos antigas virem um lembrete cruel de um tempo em que, aparentemente, tudo “estava no lugar”. E, quase como um reflexo condicionado, a mente dispara a sentença: "Você se perdeu. Você se deixou levar. Você fracassou."
Mas e se a verdade for exatamente o oposto?
E se o que você chama de descontrole for, na verdade, um ato profundo de inteligência corporal?
E se o que você chama de fraqueza for, na verdade, resistência?
E se o que você chama de “engordar” for, na verdade, seu corpo te salvando de um colapso emocional?
Essa é a tese do Ayurveda . ciência milenar indiana. que nos oferece uma chave nova e urgente para compreender o corpo: o ganho de peso não é um erro. É uma resposta adaptativa. É o corpo dizendo: "o mundo está instável demais; eu preciso criar segurança por dentro."
O corpo sente tudo antes da mente. E reage.
Vivemos numa era de hiperestimulação, medo constante, ansiedade crônica e mudanças imprevisíveis. O algoritmo nunca dorme. As redes nunca cessam. A crise é constante. Em meio a esse caos, você cobra de si produtividade, disciplina, leveza, boa forma . como se viver no colapso mundial fosse tarefa fácil.
No Ayurveda, o excesso de peso muitas vezes é o resultado do desequilíbrio do Vata . elemento do ar e do éter — que quando exacerbado pela instabilidade (emocional, alimentar, climática, energética), obriga o corpo a acionar o Kapha: terra, água, contenção, proteção.
O que isso quer dizer? Que o corpo, diante do medo, da falta de solo, do caos, guarda.
Ele guarda líquidos. Ele guarda gordura. Ele segura. Ele te ancora.
Não porque está te punindo.
Mas porque está te protegendo.
O corpo entende a guerra e veste armadura.
Pense num animal em tempos de frio: ele estoca gordura para sobreviver ao inverno.
Pense numa casa em meio à tempestade: ela fecha portas e janelas.
Seu corpo fez isso por você.
Você não engordou porque perdeu a linha. Você engordou porque, de forma silenciosa, seu corpo percebeu que você precisava de uma barreira entre o mundo e a sua vulnerabilidade.
Ele não é burro.
Ele não é preguiçoso.
Ele é sábio.
Ele é natureza.
E sabe o que não é natural? O ódio que você despeja sobre si mesma.
As dietas punitivas, o jejum autoflagelante, os treinos exaustivos impostos por raiva, vergonha ou desespero.
Você não vai se curar se tratando como inimiga. O peso não é o problema. A culpa é.
A cura começa com a escuta. Não com a punição.
Seu corpo não precisa de guerra. Precisa de calor. De confiança. De um espaço onde possa dizer: "ok, posso soltar."
O peso vai embora . ou se transforma . quando ele não é mais necessário como proteção.
Quando a mente para de gritar e começa a acolher.
Quando o medo diminui e a gentileza aumenta.
Quando você entende que seu corpo não foi contra você.
Ele foi por você.
Ele ficou de pé quando sua mente queria cair.
Ele segurou o que você não conseguia nomear.
Ele construiu paredes para que você pudesse se recuperar por dentro.
E agora, talvez, seja hora de dizer a ele: "Obrigada. Pode descansar."
Você não precisa correr. Você precisa voltar para casa.
Para o corpo que é abrigo. Para a pele que te sustenta. Para a barriga que sente antes mesmo de você entender.
Voltar para casa significa olhar com compaixão. Significa se nutrir sem medo.
Significa mover-se porque ama o que sente . não porque odeia o que vê.
Significa ouvir suas emoções, sentir seus limites, confiar no processo.
Você não falhou.
Você sobreviveu.
E agora pode começar a viver.
Seu corpo não te traiu.
Ele te protegeu.
E o primeiro passo da cura...
é reconhecê-lo como seu aliado.
Trago Fatos , Marília Ms.
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