Quem tem interesse em enganar os sergipanos? A face oculta do “Tigrinho do Governo”
A pergunta não é mais sobre o jogo do Tigrinho. A pergunta é: quem está ganhando para enganar o povo de Sergipe?
Porque quando o governo do estado permite que uma plataforma pública , ligada diretamente ao Banco do Estado, o Banese , seja transformada em vitrine para joguinhos de aposta digital disfarçados de “entretenimento”, o que vemos não é inocência, é cumplicidade. E quando, diante da denúncia pública, a única atitude tomada é tirar um animal (o tal do tigrinho) e manter toda a floresta de joguinhos que causam o mesmo mal, o que temos é uma tentativa cínica de fingir que o problema foi resolvido.
Isso é desinformação institucional. Isso é enganar o povo.
Quando o líder do governo na Assembleia Legislativa sobe à tribuna para dizer que “o problema foi solucionado”, porque o Tigrinho foi retirado, ele não só subestima a inteligência dos sergipanos, como revela o quanto o governo está disposto a esconder a verdade para não admitir a própria responsabilidade. Retirar o “Tigrinho” e deixar o “Tourinho”, o “Macaquinho” e toda a fauna do cassino virtual é o mesmo que pintar de branco uma parede cheia de mofo: o que apodrece continua lá , escondido, mas operando.
O problema nunca foi o animal no ícone do jogo.
O problema é que a Loteze, controlada pelo Estado, estava oferecendo jogos de cassino online , algo que vicia, destrói famílias, ilude a população vulnerável e faz o governo faturar com a desgraça alheia.
E vamos ser honestos: todo mundo sabia.
O governador Fábio Mitidieri, que é representado no conselho do Banese, sabia. O presidente do Banese, que fez campanha elogiando a plataforma, sabia. Os deputados da base governista, que mantiveram silêncio cúmplice, sabiam. E se não sabiam, como estão dizendo agora, a coisa é ainda mais grave. Porque aí não é só imoralidade ,é também incompetência.
O que está acontecendo em Sergipe é uma pedagogia da ilusão.
Um ensino cruel e diário de que o povo pode ser enganado, manipulado e descartado em nome de promessas de “modernidade”, “avanços tecnológicos” e “plataformas de inovação”.
Mas vamos abrir essa caixa de Pandora com coragem:
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O jogo do Tigrinho não estava ali por acaso. Ele fazia parte de uma estratégia de atrair o usuário, viciar o jogador, prometer ganhos altos com apostas mínimas, e assim manter o fluxo de dinheiro circulando. O problema é que esse dinheiro sai do bolso dos pobres , dos que apostam os trocados da feira achando que podem ganhar R$ 500 mil , e engorda os cofres da Lotese e de seus controladores.
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Exibir os valores que ganhadores receberam é uma jogada psicológica perversa. É marketing disfarçado de transparência. É propaganda do vício. Mostra o nome de quem supostamente ganhou e esconde a multidão que perdeu. E pior: faz o cidadão comum acreditar que com 10 centavos ele pode mudar de vida , e por isso vale a pena arriscar. Um estado que estimula isso não está governando. Está ludibriando.
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Retirar o Tigrinho depois da denúncia é uma confissão. E a maior prova de que a plataforma só começou a ser investigada porque o povo cobrou, porque os deputados denunciaram, e porque parte da imprensa se recusou a fingir que não viu. O governo não foi proativo. Foi reativo, pressionado, encurralado por uma verdade que já não dava mais para esconder.
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A justificativa de que o governador foi “surpreendido” é insulto à inteligência coletiva. Como se um projeto que envolve o Banese, dinheiro público, licitações, contratos com fornecedores de tecnologia e plataformas digitais pudesse passar despercebido por ele. Se passou, está dormindo no comando. Se não passou, está fingindo que não sabia para salvar a própria pele.
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Quem ganha com tudo isso?
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Os desenvolvedores dos jogos e os operadores das plataformas.
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Os intermediários que recebem por fora para “colar” esses serviços nas instituições públicas.
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E, talvez, quem financia campanhas políticas e depois cobra a fatura com esses esquemas.
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A pergunta é: e o povo, o que ganha?
Nada. Só a conta da ilusão. A frustração. O vício. A vergonha.
Porque ninguém ganha sozinho no cassino virtual do estado. A casa sempre vence , e nesse caso, a casa é pública.
Quem tem interesse em enganar os sergipanos?
Quem governa sem prestar contas.
Quem lucra com o vício alheio.
Quem se omite para manter cargos e alianças.
Quem fala bonito, mas assina acordos com a desgraça.
Quem acha que o povo não vai entender, não vai investigar, não vai denunciar.
Mas o povo de Sergipe entendeu.
O povo viu. O povo se indignou.
E por isso o “Tigrinho do Fabinho” entrou em extinção.
Mas é bom lembrar: o Tigrinho é só a ponta do iceberg.
Enquanto houver silêncio cúmplice, jogo disfarçado e manipulação institucional, os sergipanos continuarão sendo caçados pela máquina do próprio estado.
Se o governo quer recuperar a credibilidade, precisa fazer mais do que apagar um ícone de jogo.
Precisa encarar o povo com respeito, pedir desculpas, abrir a caixa-preta da Lotese e do Banese, e colocar fim ao cassino travestido de plataforma pública.
Porque se o jogo é diversão , como dizem , que seja feito com ética, sem armadilhas, sem exploração e, acima de tudo, fora do alcance de um governo que deveria proteger e não iludir.
O povo não é ficha de pôquer.
O povo é soberano.
E não aceita mais ser enganado.
Trago Fatos, Marília Ms.


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