O Peso da Caneta: Como Deputados Federais por Sergipe Escolheram a Cumplicidade ao Apoiar a Urgência do Projeto de Anistia dos Golpistas de 8 de Janeiro




Sergipe, estado marcado por sua rica cultura, tradição e luta popular, enfrenta agora mais um capítulo vergonhoso em sua história política recente. Quatro deputados federais da bancada sergipana , Rodrigo Valadares (União Brasil), Ícaro de Valmir (PL), Thiago de Joaldo (PP) e Nitinho (PSD) ,optaram por escrever seus nomes na lista dos que se colocaram contra a democracia brasileira ao assinarem o requerimento de urgência do Projeto de Lei 2.858/2022, que visa conceder anistia aos criminosos condenados pelos atos terroristas e golpistas do dia 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

A tentativa de maquiar o projeto como uma ação humanitária ou de reconciliação nacional é não apenas uma afronta à inteligência do povo brasileiro, como também um insulto aos pilares constitucionais da República. O que ocorreu naquele domingo de janeiro não foi uma manifestação pacífica, tampouco um ato de desobediência civil: foi uma tentativa de golpe de Estado. Uma turba organizada invadiu, depredou e vandalizou os prédios dos Três Poderes, agrediu policiais, ameaçou a ordem democrática e clamou por execuções de líderes legítimos da nação, incluindo o presidente da República, o vice-presidente e ministros do Supremo Tribunal Federal.

Uma anistia fabricada sob medida para os poderosos

O projeto, travestido de compaixão, busca livrar da cadeia não os “manifestantes inocentes”, como alegam seus defensores, mas sim os verdadeiros arquitetos e financiadores do golpe frustrado: empresários multimilionários, setores corruptos das Forças Armadas e, sobretudo, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que já figura como réu no STF junto a outros oito aliados. A tentativa de urgência na tramitação do PL escancara o medo da punição e o desejo de blindagem daqueles que, de fato, têm poder político e econômico para temer o rigor da lei.

Sergipe no epicentro da vergonha

A assinatura dos quatro deputados sergipanos na urgência do PL é sintomática de um problema maior: o uso do mandato popular para proteger interesses ideológicos, partidários e pessoais, em detrimento da democracia, da justiça e do próprio povo. Ao invés de legislar por mais escolas, hospitais, investimentos em saneamento, preservação ambiental ou segurança pública , temas urgentes em nosso estado –, esses parlamentares preferem gastar capital político para salvar criminosos de toga, farda e ternos caros.

Não é à toa que senadores como Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB) se posicionaram contra a anistia. Ambos compreendem que perdoar golpistas é institucionalizar o golpismo. É dizer ao país que a Constituição pode ser rasgada quando convém, que a violência política é aceitável se ela for "do meu lado", e que se você tiver dinheiro ou influência suficiente, seus crimes terão perdão.

A normalização do inaceitável

A fala do deputado Rodrigo Valadares em defesa da anistia é emblemática: ele tenta comparar os golpistas de 2023 com militantes políticos da ditadura militar, que lutaram contra um regime autoritário e pagaram o preço com prisões, torturas e mortes. Colocar na mesma balança a luta por democracia e uma tentativa de golpe para manter no poder um presidente derrotado nas urnas é um dos atos mais repugnantes do revisionismo político atual. Não se trata de inocência ou ingenuidade, trata-se de cumplicidade.

O deputado João Daniel (PT) foi claro ao afirmar: “O projeto da anistia, além de inconstitucional, é um outro atentado à democracia.” E ele está certo. Mais do que um gesto simbólico, a aprovação desse projeto abriria um precedente histórico de impunidade e fragilidade institucional. O Brasil deixaria de ser um país onde a democracia é garantida por leis e passaria a ser um campo de batalha onde vence quem tiver mais aliados dispostos a rasgar o estado de direito em nome de seus próprios privilégios.

O silêncio que grita

Enquanto isso, a população sergipana sofre com o abandono das políticas públicas essenciais. Falta arborização nas cidades, falta infraestrutura nas escolas, faltam políticas efetivas de combate à fome, à violência e ao desemprego. E o que fazem nossos representantes? Assinam projetos para proteger os que destruíram patrimônio público, atentaram contra vidas humanas e feriram a democracia.

É preciso cobrar. É preciso lembrar. É preciso nomear. Rodrigo Valadares, Ícaro de Valmir, Thiago de Joaldo e Nitinho agora fazem parte da história dos que escolheram o lado errado. Que o povo sergipano não esqueça. Que a democracia brasileira, com todas as suas imperfeições, continue sendo defendida pelos que ainda acreditam no valor da justiça, da memória e da verdade.

Porque quem perdoa o golpe, autoriza o próximo. E a democracia não pode mais ser tratada como uma conveniência passageira. Ela é, e deve continuar sendo, cláusula pétrea de qualquer sociedade que queira se chamar de civilizada.

Trago fatos , Marília Ms.

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