O PDT e o escândalo dos aposentados: da herança do bolsonarismo ao fracasso político de um partido que já foi símbolo do trabalhismo
O Partido Democrático Trabalhista (PDT), fundado sob os ideais de Leonel Brizola, nasceu como uma força de defesa dos direitos sociais, da educação pública e do trabalhador brasileiro. Um partido que, durante décadas, carregou no peito a bandeira do trabalhismo e buscou ser uma alternativa de centro-esquerda com foco no povo. Mas o que restou desse projeto hoje? Um partido atolado em denúncias de omissão, jogando a culpa de sua própria incompetência nas costas do atual governo e, pior, agindo como se fosse vítima de uma injustiça.
O episódio mais recente envolvendo o PDT é vergonhoso e revelador. Um escândalo de descontos fraudulentos nas aposentadorias , que vinha ocorrendo desde o governo Bolsonaro , foi finalmente desarticulado no governo Lula. E é importante sublinhar: foi desarticulado, não iniciado, no atual governo. No entanto, a demora na resposta do Ministério da Previdência e do INSS , ambos sob o comando do PDT até recentemente , expôs o governo federal, causou enorme prejuízo aos aposentados e pensionistas, e empurrou milhões de brasileiros vulneráveis para um verdadeiro inferno burocrático e financeiro.
E qual foi a reação do partido diante disso? Romper com o governo, como se fosse ele o injustiçado.
Omissão deliberada ou incompetência inaceitável?
Carlos Lupi, presidente do PDT e então ministro da Previdência, foi alertado desde junho de 2023 sobre o aumento das denúncias de fraudes relacionadas a associações que, sem autorização dos aposentados, vinham realizando descontos diretos nos contracheques , uma prática que remonta ao início do governo Bolsonaro. Mesmo com alertas da imprensa, denúncias no INSS e reclamações de milhares de cidadãos, o governo só veio a agir de forma concreta em 2024, quando uma instrução normativa foi finalmente publicada.
Nesse meio tempo, o prejuízo foi brutal: segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União, o golpe envolvia 11 associações fraudulentas, com destaque para duas: Kitser e outras ligadas a sindicatos fantasmas. O rombo pode chegar a R$ 6,3 bilhões, valor esse que saiu diretamente da mesa de quem depende de um salário mínimo para sobreviver.
É inaceitável. E é ainda mais grave quando lembramos que o PDT, ao controlar essas pastas, tinha o dever institucional de proteger quem vive de sua aposentadoria, não de manter estruturas ineficientes que permitiram esse tipo de abuso.
A política do oportunismo
A atitude do PDT ao romper com o governo Lula após a exoneração de Carlos Lupi e do então presidente do INSS revela muito sobre a atual postura do partido: vitimismo, falta de autocrítica e populismo de ocasião. Ao invés de assumir responsabilidade pela falha, preferiram sair de cena tentando preservar a imagem , já bastante desbotada , de partido injustiçado.
Esse comportamento, somado à trajetória política recente do partido, mostra que o PDT perdeu sua bússola ideológica. Nas eleições de 2018 e 2022, o partido apostou na candidatura de Ciro Gomes, que preferiu atacar Lula de forma agressiva e até flertar com o discurso bolsonarista, numa tentativa desastrada de ocupar um centro inexistente no Brasil polarizado. A estratégia fracassou. O partido encolheu, perdeu cadeiras, perdeu relevância , e agora corre o risco de perder completamente sua identidade.
Da vanguarda à irrelevância?
O PDT já foi referência no campo progressista. Foi pioneiro no debate sobre cotas raciais, lutou pela educação integral e sempre teve protagonismo nas lutas dos trabalhadores urbanos e rurais. Mas o que esse partido representa hoje? Ao se eximir de responsabilidade num escândalo bilionário que atingiu justamente os aposentados, o partido praticamente renuncia ao seu legado histórico.
Pior: ao romper com o governo por não aceitar o ônus político de seus erros, mostra que está mais interessado na autopreservação partidária do que no interesse público. Age como parte do Centrão , esse amálgama amorfo e oportunista que usa a política como balcão de negócios , e abandona qualquer projeto político coerente.
Um partido que traiu sua origem
O PDT de hoje parece ter esquecido de onde veio e a quem prometeu servir. Preferiu o compadrio à responsabilidade, a conveniência à coerência. Preferiu o silêncio diante do caos para manter um ministério. E quando o castelo caiu, agiu como se não tivesse culpa.
Mas tem. E muita.
Não foi só com os aposentados que o PDT falhou. Foi com o Brasil. Com sua história. Com sua promessa.
E, se continuar assim, não será surpresa vê-lo completamente engolido pelo fisiologismo do Congresso, apenas mais um entre tantos partidos sem norte, sem alma e sem povo.
A história cobrará. E os aposentados, mais cedo ou mais tarde, também.
Trago Fatos , Marília Ms .
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