O falso patriotismo: quando o amor à pátria é colonizado e submisso
Quando Jair Bolsonaro, em um gesto simbólico e revelador, prestou continência à bandeira dos Estados Unidos, ou quando seus apoiadores circulam com bonés “Make America Great Again”, não estamos diante de um gesto inocente. Isso escancara o patriotismo colonizado, aquele que idolatra o imperialismo norte-americano e vê mais valor na cultura e na política de outro país do que na própria terra.
O Brasil de verdade, com sua complexidade, sua história plural, sua miscigenação, é constantemente desprezado por esses falsos patriotas. Eles desprezam os povos originários, rejeitam a luta negra, silenciam as vozes nordestinas e ridicularizam tudo que não se encaixa no padrão do "american way of life". Trocam o verde e amarelo pelo vermelho, branco e azul, sem qualquer vergonha.
Esse comportamento se encaixa no que chamo de patriotismo submisso: não é apenas uma preferência estética ou ideológica , é uma rendição emocional, intelectual e simbólica a um projeto estrangeiro. Um Brasil que sonha ser colônia, que prefere ser comandado a se comandar, que copia slogans e políticas como se não tivéssemos história própria ou capacidade de pensar o país por nós mesmos.
O mais absurdo é que tudo isso vem embalado por gritos de “liberdade” e “soberania”. Mas que soberania existe em quem imita, idolatra e obedece? A liberdade que pregam só serve para atacar os adversários políticos, para defender armas, para proteger o privilégio dos ricos. Jamais para libertar o povo da desigualdade, do preconceito ou da ignorância.
Esse falso patriotismo é seletivo: não se levanta quando o Brasil é humilhado em acordos internacionais, quando se entrega a Amazônia a interesses estrangeiros, quando se sabota a ciência nacional. Ele silencia diante da fome, do racismo, da violência contra mulheres, da pobreza, do desmonte da educação. Mas grita alto quando um artista critica o governo, quando um LGBTQIA+ adota uma criança ou quando se tenta discutir justiça social. É um patriotismo raso, que não ama o povo, apenas a ideia de controle.
Há também um silêncio conivente: cadê os liberais que defendem o mercado aberto, agora que Trump impôs tarifas protecionistas? Onde está Paulo Guedes para criticar o nacionalismo econômico americano? Não está. Porque o patriotismo deles se adapta às conveniências. É um patriotismo que se ajoelha, que se omite, que acoberta.
O patriotismo colonizado não constrói país. Ele destrói. Porque ao se identificar com o opressor, o dominador, o imperialista, ele rejeita suas raízes e sua gente. O verdadeiro patriota não é aquele que veste verde e amarelo em dia de protesto , é aquele que luta para que seu país seja justo, soberano, autêntico.
Enquanto seguirmos permitindo que símbolos e palavras nobres sejam apropriados por quem quer destruir o Brasil em nome de uma potência estrangeira, seguiremos presos a uma farsa. O Brasil não precisa de patriotas de fachada, precisa de cidadãos conscientes, que amam sua terra com crítica, com coragem e com compromisso real com o povo.
O que vemos hoje, em muitos casos, é apenas um falso patriotismo: barulhento, superficial e alienado. Um patriotismo colonizado, submisso, ajoelhado , que troca a pátria por um boné importado, e o povo por um slogan vazio.
Trago Fatos , Marília Ms.


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