Mais um 17 de Maio: O Peso da Luta Contra a LGBTfobia no Brasil em 2025
Mais um 17 de maio se passou, e, como não poderia deixar de ser, é fundamental que falemos sobre o Dia Internacional da Luta contra a LGBTfobia. Uma data que carrega em si uma história pesada, marcada por dores, conquistas e a urgência de um debate que ainda está longe de ser resolvido , sobretudo no Brasil.
A existência desse dia é fruto de um marco crucial na história da luta por direitos: em 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais. Até então, ser LGBT era tratado como enfermidade, um transtorno a ser curado ou reprimido. Enquanto o Brasil dançava ao som do El-Tchan nos anos 1990, boa parte da população LGBT era vista como caso para internação, isolamento e preconceito institucionalizado. O “sitio” da doença foi abolido nos documentos oficiais, mas infelizmente não saiu da cabeça, do coração e do comportamento de grande parte da sociedade.
Hoje, em pleno 2025, ser LGBT no Brasil ainda significa enfrentar realidades duras e cruéis. Significa ser expulso de casa pelo próprio núcleo familiar, ser demitido sem justa causa , muitas vezes sem sequer uma explicação honesta , ser humilhado em espaços públicos, sofrer piadas que são, na verdade, expressões disfarçadas de preconceito, ou, em casos trágicos demais, ser “atravessado” no caminho , na faca, na bala, no ódio explícito.
A LGBTfobia brasileira é democrática, e o uso desse termo é carregado de ironia amarga. Ela está presente em todos os espaços: no condomínio onde você mora, no culto que frequenta, nas estruturas do Congresso Nacional. Ela tem nome, sobrenome, cargo público e até um canal no YouTube, onde discursos de ódio são propagados com a mesma naturalidade com que se fala de futebol.
Isso não é mimimi. Isso é a realidade brutal que se esconde por trás das cortinas coloridas das paradas e das hashtags de apoio nas redes sociais.
Não é exagero afirmar que o Brasil lidera, há 17 anos consecutivos, o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans. Em 2024, foram contabilizadas 291 mortes violentas de pessoas LGBT+, o que significa uma vida perdida a cada 30 horas. São números que chocam, que envergonham, mas que, por alguma razão, ainda são naturalizados.
Além da violência física, existe um ataque sistemático e legislativo. Estão em tramitação, neste exato momento, 342 projetos de lei anti-LGBT+, que se aproveitam da falsa bandeira da proteção de valores “tradicionais” para promover censura e discriminação. A intolerância se veste de terno, gravata, discurso religioso e “valores familiares”, mas não passa de ódio travestido.
Se hoje é 17 de maio, não basta postar uma foto, compartilhar uma frase bonita ou demonstrar empatia superficial. Se você quer realmente fazer alguma coisa, o caminho é mais árduo e exige coragem: não ria das piadas homofóbicas; não reproduza discursos podres e preconceituosos; não confunda opinião com intolerância enraizada. É hora de entrar na luta, comprar a briga, assinar petições, pressionar e cobrar dos seus representantes que derrubem deputados e figuras públicas que espalham ódio, disfarçado de fé ou moralidade.
No país que mais mata pessoas LGBT+ no mundo, o silêncio é cumplicidade. O silêncio é ser 15, ser conivente, ser parte do problema. Por isso, a luta contra a LGBTfobia deve ser diária, persistente e verdadeira.
Mais do que nunca, precisamos transformar esse 17 de maio em um ponto de inflexão, para que a história não se repita, e para que possamos construir um Brasil onde a diversidade seja celebrada e a vida de todos, respeitada.
Trago Fatos , Marília Ms .
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