LIVRE MERCADO : O Pânico no Ministério da Fazenda e a Ironia de um País Refém da Desaprovação
No universo cínico da política e da economia global, há um novo produto em pauta para tarifação: a taxa de rejeição do governo Lula. A ideia, em tom de sátira, foi “anunciada” como uma preocupação real do Ministério da Fazenda diante da possibilidade de que o presidente americano Donald Trump , sempre impiedoso com tarifas , estenda seu protecionismo ao mais improvável dos produtos brasileiros: a impopularidade presidencial.
A piada é ácida, mas o contexto é sério. A última pesquisa Genial/Quaest revelou que o governo Lula amarga uma taxa de desaprovação de 56%, um salto considerável em relação aos 49% registrados em janeiro. É um dado que causa alarde não só entre os marqueteiros de Brasília, mas também entre os técnicos da Fazenda, que agora brincam com a hipótese de o Brasil sofrer um "tarifaço moral" internacional, dado o seu desgoverno perceptível.
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, ironizou: “Esse era um produto que passaria despercebido pelo tarifaço, mas isso até sair a última pesquisa Genial/Quaest, que fez os olhos de Trump brilharem”. A fala é carregada de sarcasmo, mas revela o desespero de quem tenta manter o equilíbrio fiscal diante de um cenário político corroído por más decisões, comunicação falha e promessas de campanha frustradas.
Livre Mercado ou Livre Engano?
O mercado, esse ente quase místico que determina os humores do capital, é sensível a sinais. E a rejeição pública de um governo é um desses sinais. Um governo fragilizado internamente tende a ser alvo fácil de pressões externas, tanto diplomáticas quanto econômicas. A lógica de Trump , taxar para proteger , ganha fôlego em sua retomada política, e o Brasil, com sua instabilidade e dependência de commodities, vira novamente alvo fácil.
O tarifaço anunciado sobre o aço, os combustíveis e os produtos agrícolas não é apenas um golpe comercial. É um sintoma do enfraquecimento da imagem do Brasil no cenário internacional. Países com governos fracos, desaprovados internamente, são menos respeitados nas mesas de negociação. E isso, Haddad sabe bem, é uma conta que chega direto na porta do Tesouro Nacional.
Desaprovação como Produto de Exportação
A ideia de "taxar a taxa de rejeição" é uma sátira, mas embute uma crítica profunda: a desaprovação pública virou um símbolo da ineficácia da gestão. Não é só uma questão de narrativa; é consequência de políticas mal estruturadas, alianças frágeis e uma crise de credibilidade institucional que se agrava dia após dia.
O governo Lula, que retornou ao poder prometendo conciliação, reconstrução e estabilidade, hoje enfrenta a desconfiança até mesmo dos setores que o apoiaram. Enquanto isso, o povo , especialmente os mais pobres , observa, entre a frustração e a ironia, a elite política rir dos seus próprios erros como se fossem meros episódios cômicos de um teatro de improviso.
A Vagabundagem do Poder e o Povo como Palhaço
Quando se diz que “uma vagabunda dessas ri da cara dos pobres enganados”, a frase escancara o sentimento de traição popular. O pobre, que acreditou em um novo pacto social, vê-se agora novamente à margem, assistindo a politicagem de gabinete, as alianças fisiológicas e a maquiagem de programas sociais que não resolvem o básico: comida no prato, dignidade no bolso, e saúde nas ruas.
E enquanto o mercado se protege com juros altos e investimentos externos se retraem, o trabalhador paga mais caro pelo gás, pela carne, pelo transporte, e pelo sonho de um país melhor. Paga também com seu descrédito, com sua apatia política, e com a desesperança que cresce como erva daninha nas periferias do Brasil.
Conclusão: Entre o Livre Mercado e a Livre Vergonha
Se Trump taxar a desaprovação do governo Lula, será apenas uma forma simbólica de cobrar por aquilo que o próprio Brasil já paga com juros altíssimos: sua má gestão. A sátira escancara o fracasso de uma estratégia que não conseguiu convencer o mercado, nem o povo, nem o mundo. O livre mercado brasileiro virou um mercado de promessas não cumpridas, de propaganda disfarçada de plano, de reformas que não reformam nada , e de governantes que riem enquanto a miséria aumenta.
O pânico no Ministério da Fazenda, mesmo em tom de piada, revela a tragédia de um país onde a rejeição virou um ativo, e a confiança, um artigo de luxo em falta nas prateleiras do Planalto.
Trago Fatos , Marília Ms.
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