Aracaju afogada no lixo: o preço da negligência e o descaso com a saúde pública



As denúncias sobre a ausência ou precariedade da coleta de lixo em Aracaju se multiplicam, assim como o lixo nas ruas, esquinas e calçadas da cidade. O cenário é alarmante, degradante e revoltante. Em vez de caminhões, vemos urubus. Em vez de varredores, ratos. Em vez de soluções, discursos e promessas vazias. A cidade da orla encantadora e dos cartões-postais instagramáveis parece estar sendo empurrada para um abismo sanitário, como se a estética digital fosse capaz de esconder a podridão que fede do lado de fora da tela.

Na última quinta-feira (8 de maio), os vereadores Camilo e Elber Batalha ocuparam a tribuna da Câmara Municipal para alertar sobre o que já salta aos olhos (e às narinas) da população: o serviço de coleta de lixo está falhando gravemente. O radialista Narcizo Machado, sempre atento às mazelas da cidade, ecoou esse mesmo clamor na última segunda-feira (12), em sua programação. É raro ver políticos e comunicadores, muitas vezes em lados opostos, unirem-se num mesmo coro , o que já diz muito sobre a gravidade do que Aracaju está vivendo.

Mas a pergunta que ecoa entre sacos rasgados, restos de comida apodrecendo ao sol e matilhas de cães farejando a sujeira é uma só: adianta mesmo economizar em limpeza urbana se o custo dessa economia será pago com a saúde da população?

A resposta é óbvia para qualquer um que não esteja encastelado nos gabinetes refrigerados da prefeitura. O lixo acumulado nas ruas não é apenas uma ofensa ao olhar: é um convite aberto à proliferação de doenças. Dengue, leptospirose, infecções, contaminações de água e solo. O problema não é estético , é sanitário. E é também político.

Quando um governo municipal falha em uma das funções mais básicas da gestão pública , a limpeza urbana , ele expõe sua real prioridade. Aracaju, infelizmente, parece ter optado pela maquiagem: promove shows, pinta muros, investe em publicidade, mas negligencia o essencial. Enquanto os algoritmos das redes sociais seguem mostrando praias limpas e festas bem produzidas, a realidade pulsa nos bairros mais afastados, onde o lixo vira parte da paisagem e os moradores perdem a esperança.

Não é de hoje que a terceirização da coleta, a má gestão dos contratos e a desvalorização dos trabalhadores da limpeza têm corroído a qualidade do serviço. Faltam equipamentos, sobram desculpas. E no fim das contas, quem paga a conta , com o bolso e com a saúde , é a população.

A fala dos vereadores é importante, mas é preciso mais do que isso. É urgente um plano emergencial de limpeza, uma reavaliação dos contratos firmados com empresas terceirizadas, mais transparência na gestão dos recursos e, sobretudo, respeito ao cidadão aracajuano, que paga seus impostos e merece viver em uma cidade limpa, segura e digna.

Não se trata apenas de recolher sacos de lixo , trata-se de recolher a dignidade de um povo que vem sendo deixado de lado. Enquanto o lixo não é recolhido, a população recolhe doenças, indignação e o sentimento de que está sendo governada por quem prefere viver de curtidas a enfrentar a realidade.

Que este cenário sirva de alerta: cidades não adoecem por acaso. Adoecem pela negligência. Pela omissão. Pela política que não cuida do básico. Aracaju merece mais do que hashtags. Aracaju merece higiene, dignidade e responsabilidade com a vida de quem mora aqui.

Trago Fatos , Marília Ms.


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