O Valor Por Trás do Consumo: Seria Malu Borges Tão Visível Sem o Poder de Compra?
A Malu Borges, com sua influência crescente nas redes sociais, é um exemplo de como o poder de compra e o padrão de beleza se entrelaçam no imaginário público. Mas, ao questionarmos o que aconteceria se ela fosse uma pessoa comum, fora do que chamamos de "padrão de beleza" e sem esse imenso poder de consumo, surge a reflexão: ela teria a mesma visibilidade? Ou o que ela representa no cenário digital hoje seria um reflexo direto de sua aparência e dos bens materiais que exibe?
Malu Borges é um exemplo clássico da fusão entre estética, privilégio e consumismo. Suas redes sociais são um espetáculo de marcas de luxo, viagens paradisíacas e um lifestyle aspiracional que atrai milhões. O que a torna interessante para tantos seguidores, no entanto, não é apenas o que ela mostra, mas o contexto em que isso é apresentado: o recorte de uma mulher jovem, magra, dentro do padrão estético eurocêntrico e com acesso irrestrito ao que a maioria jamais terá. A questão que surge, então, é: será que gostaríamos tanto dela se ela fosse diferente?
Malu, como muitas influenciadoras, é vista em viagens luxuosas, com roupas de marcas renomadas e compartilhando sua rotina de uma maneira que fascina seus seguidores. No entanto, a grande questão que se coloca é: e se ela não tivesse dinheiro para essas experiências? O que aconteceria se a imagem impecável fosse substituída por uma mais simples, mais "comum"? Seria ainda possível manter a mesma audiência? Ou sua relevância estaria atrelada, em grande parte, a essas circunstâncias materiais?
Esse questionamento toca em uma ferida da nossa sociedade. Influenciadoras como Malu Borges não são apenas criadoras de conteúdo; elas são símbolos do sonho consumista. E, na lógica das redes sociais, onde a aparência e o luxo valem mais do que o conteúdo em si, seu sucesso não é apenas fruto de carisma ou talento, mas da combinação de fatores que atendem ao imaginário coletivo: riqueza, beleza e acesso.
Imagine que Malu Borges fosse uma pessoa comum, sem roupas de grife, sem viagens internacionais, sem jantares em restaurantes estrelados. Imagine também que ela estivesse fora do padrão de beleza, talvez com um corpo diferente, uma pele diferente, uma realidade diferente. Será que ela ainda teria tanta visibilidade? É provável que não.
Isso porque o mercado das redes sociais é cruelmente seletivo. Ele privilegia quem pode apresentar um estilo de vida inalcançável para a maioria e reforça ideais estéticos que já dominam a cultura midiática há décadas. O poder de compra é o motor por trás dessa máquina. Sem ele, muitas influenciadoras não passariam de figuras anônimas no feed, porque, para o público, o que elas mostram tem mais valor do que quem elas realmente são.
A visibilidade de Malu Borges não é só mérito dela. É resultado de um sistema que premia quem pode ostentar. A narrativa de “autenticidade” tão usada para justificar o sucesso dessas influenciadoras muitas vezes é uma ilusão bem embalada. A autenticidade só é celebrada quando vem dentro de uma embalagem esteticamente agradável, reforçando padrões já conhecidos. Uma pessoa fora do padrão, mesmo sendo autêntica, dificilmente teria as mesmas oportunidades ou seria acolhida pelo público da mesma forma.
E há algo ainda mais perverso nisso tudo: consumimos essas figuras porque, em algum nível, elas nos fazem desejar o que elas têm. Essa dinâmica sustenta um ciclo de insatisfação e aspiração que move tanto o mercado da influência quanto o consumismo desenfreado. O conteúdo em si muitas vezes é secundário; o que importa é o glamour, o estilo de vida e a promessa de que, talvez, possamos nos aproximar disso ao consumir os mesmos produtos.
Estamos valorizando as pessoas pelo que elas são ou pelo que elas podem mostrar? Será que, em um cenário onde o consumismo e os padrões de beleza perdem sua força, teríamos uma nova forma de enxergar o valor humano, que priorize a essência, a criatividade e a diversidade?
Malu Borges representa, assim, o dilema contemporâneo: o conflito entre a autenticidade pessoal e as exigências de uma sociedade que equaciona sucesso à capacidade de consumir e exibir. Se retirássemos a ferramenta do poder de compra e os filtros da beleza idealizada, o que restaria? Provavelmente, teríamos pessoas com histórias genuínas, capazes de inspirar por suas experiências reais, sem a necessidade de seguir um roteiro pré-determinado de consumo e estética. E talvez, nesse novo olhar, descobríssemos um universo de influências mais inclusivas e autênticas, onde a visibilidade não fosse um privilégio exclusivo, mas um reflexo da diversidade humana.
Portanto, a pergunta central o que sobra quando tiramos o poder de compra e a aparência física da influenciadora favorita é um convite para refletir sobre o que realmente valorizamos. Se a resposta é “não sobra nada”, o problema não é apenas delas, mas de todos nós que sustentamos esse sistema. Talvez seja hora de virar o jogo, buscando pessoas que representem histórias reais, experiências autênticas e valores que vão além do consumo.
Porque, no final das contas, se tudo o que sobra é o dinheiro e a aparência, o que estamos realmente seguindo? Um ser humano ou uma vitrine?
Trago fatos , Marília Ms



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