Eu Nunca Dou a Segunda Chance E Nem Quero
Veja bem, eu nunca comeria num restaurante que passou no Pesadelo na Cozinha, porque se você passou três anos sem limpar a geladeira, desligava o freezer pra economizar e só resolveu mudar porque alguém gritou com você, me desculpe, mas o problema não era falta de conhecimento. Você sabia o que fazer, só não se importava. E se você não se importava antes, qual a garantia de que, agora que as câmeras foram embora, você vai continuar se importando?
E eu sei, tem quem dê essa segunda chance. Tem até quem vá lá, coma e grave um vídeo pro TikTok, falando que agora tá tudo lindo, que os pratos estão maravilhosos e que o ambiente é outro. Eu adoro assistir esses vídeos, mas nunca seria eu no lugar desse cara. As segundas chances vêm recheadas de receio, e eu sou do tipo que prefere evitar essa digestão indigesta.
Isso vale pra tudo.
Relacionamentos? Idem. Eu fui criada para ter uma autoestima beirando o narcisismo – e agradeço por isso. Nunca perdoaria uma traição. Tem mulher que perdoa, que releva, que luta pela relação, que dá um novo voto de confiança. Ótimo. Deixo pra elas. Elas podem passar noites em claro stalkeando, conferindo mensagens suspeitas, tentando reconstruir o que foi quebrado. Eu? Prefiro dormir tranquila, sabendo que minha dignidade tá intacta.
Amizades? O mesmo raciocínio. A minha amiga mais falsa do mundo, aquela que mentiu, manipulou, apunhalou pelas costas? Hoje tem alguém chamando ela de melhor amiga. Mas esse não é mais o meu problema. Porque no momento em que eu percebo que alguém me feriu de propósito, essa pessoa deixa de existir na minha vida. Simples assim.
Agora, pra seguir essa lógica, tem um porém: se você não dá segunda chance, você também não pode errar. Ou, pelo menos, não pode errar feio. Eu conto nos dedos quantas vezes falhei com minhas amigas. E quando falhei, foram erros pequenos, deslizes que qualquer ser humano com um mínimo de empatia sabe que não foram intencionais.
No relacionamento amoroso, a história muda um pouco. Porque, sinceramente? Eu quero que homem se foda. Cresci aprendendo a não me importar com eles. E se eu erro? Paciência. Sempre vai ter outro. Mais bonito, mais alto, mais tatuado, mais gostoso. Homens são como tendências de moda: mudam o tempo todo, e sempre tem um modelo novo para experimentar.
O amor romântico não é essencial. O que vale mesmo é o amor da família e das amigas. O que vale é saber que sua mãe, sua irmã, suas verdadeiras amigas estarão ali por você quando a merda bater no ventilador. Porque elas, sim, são insubstituíveis.
Então, não. Eu nunca dou a segunda chance. E vivo muito bem assim.
Trago Fatos, Marília Ms .



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