Coisas que a Gente Deveria Deixar em 2024: Um Chamado à Autenticidade em Meio ao Excesso Digital




 Em meio a um mundo cada vez mais conectado, dominado por tendências efêmeras e modismos que seduzem pela superficialidade, 2024 se apresenta como o ano ideal para repensarmos o que realmente importa e deixarmos para trás práticas que, longe de enriquecer nossas vidas, apenas aprofundam contradições e insatisfações. É hora de abandonar estereótipos e discursos vazios que transformam a essência humana em produto descartável para as redes sociais.

A imagem da mulher contemporânea, muitas vezes representada por uma combinação de blazer estruturado e um coque impecável , mas, ao mesmo tempo, ensaiado , tornou-se sinônimo de um discurso que fala em “energia feminina” e “energia masculina” sem, contudo, aprofundar a verdadeira complexidade dessas forças. Essa retórica, embora carregada de intenções de empoderamento, frequentemente se resume a clichês estéticos que privilegiam a forma em detrimento do conteúdo. Em vez de promover uma reflexão real sobre as nuances da identidade e do gênero, transforma o debate em um exercício de aparência, onde o valor da mulher passa a ser medido pela capacidade de exibir uma imagem idealizada e superficial.

Vivemos uma era em que o adjetivo “instagramável” passou a ser o selo de autenticidade e qualidade de qualquer experiência. Contudo, esse termo tornou-se um truque de marketing que encobre realidades menos atrativas. Pense num restaurante que se vangloria de ter um ambiente “instagramável”: você paga caro por uma comida que, muitas vezes, é mediana, apenas para se acomodar em um espaço decorado com paredes de folhas verdes e letreiros neon como “Better Together”. Essa obsessão pela estética transforma o ambiente em uma vitrine para o consumo de experiências visuais, relegando a segundo plano a qualidade do atendimento e do produto. O resultado é uma cultura em que a aparência vale mais que a substância, e onde o prazer autêntico dá lugar à busca por likes e validações efêmeras.

No universo digital, a figura do “guru” emergiu como um novo tipo de empreendedor, aquele que, em frente a câmeras, vende cursos e métodos milagrosos para o sucesso. Esses vídeos  gravados em cenários cuidadosamente escolhidos, muitas vezes ao lado de monumentos ou em ambientes que exalam poder , se transformaram em rituais de autoconfiança superficial. O paradoxo é gritante: o mesmo cara que ensina a vender o curso que ele próprio vende cria uma atmosfera de promessas vazias, onde o verdadeiro valor do conhecimento é eclipsado por técnicas de marketing agressivas. Essa prática não só banaliza o aprendizado, como também alimenta uma cultura de autossuficiência ilusória, onde a conquista se torna fruto de fórmulas prontas e, muitas vezes, inatingíveis para a maioria.

A obsessão por momentos “instagramáveis” invadiu até o campo da gastronomia, onde a forma passou a ser mais importante que o sabor. A tendência de servir sobremesas “fora do copo” ilustra perfeitamente como o visual se sobrepõe à experiência sensorial. Em vez de celebrar o encontro entre a culinária e o prazer gustativo, transformamos a comida em um objeto estético, destinado mais a ser fotografado do que saboreado. Esse fenômeno evidencia uma cultura que valoriza o espetáculo momentâneo sobre a profundidade da experiência, distorcendo a verdadeira essência da gastronomia e promovendo um consumismo que prioriza a imagem em detrimento da qualidade.

Outro aspecto preocupante da nossa cultura contemporânea é a entrada precoce de crianças em ambientes que deveriam ser reservados ao aprendizado lúdico e à descoberta natural do mundo. Em um cenário onde pequenos deixam a pré-escola para participar de podcasts e vídeos, já não se trata apenas de brincar  é uma exposição precoce a discursos adultos que mesclam consumo, status e a ideia equivocada de que não ter um iPhone significa ter “mente pequena”. Essa infantilização do discurso motivacional, muitas vezes personificada por um “coach mirim”, empurra as crianças para papéis que não correspondem à sua idade ou capacidade de compreensão, distorcendo o que deveria ser uma fase de inocência e descoberta.

A narrativa de que não é necessário fazer faculdade para alcançar o sucesso tem ganhado força nos círculos digitais, propagada por histórias de “trilhardarionários” que supostamente despencaram sem um diploma. Essa visão romantizada ignora, contudo, as profundas disparidades sociais e econômicas que permeiam nossa sociedade. Enquanto alguns poucos têm o privilégio de trilhar caminhos alternativos, a maioria, especialmente aqueles que vêm de contextos menos favorecidos, encontra na educação formal uma ferramenta indispensável para romper ciclos de desigualdade. Desvalorizar a faculdade é, na verdade, minimizar a importância do conhecimento estruturado e do rigor acadêmico, fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e crítica.

No universo dos influenciadores, personalidades como Carlinhos Maia personificam o paradoxo da fama instantânea e da superficialidade. Celebrado por suas postagens cuidadosamente curadas, esse ícone da cultura digital representa a ascensão de uma estética que mede sucesso em números de seguidores e curtidas, ao invés de conquistas reais e profundas. Essa superexposição cria um ambiente onde a identidade se torna um produto moldado para agradar algoritmos, ofuscando a importância de valores como autenticidade, ética e esforço pessoal. Assim, o culto às celebridades digitais não só distorce o que entendemos por sucesso, como também incentiva uma comparação constante e muitas vezes insana entre indivíduos.

Mas não se trata apenas dos pontos já citados. Em 2025, devemos também repensar e abandonar outras práticas que corroem nossa capacidade de viver de forma autêntica e equilibrada. Entre elas, destaca-se a cultura do cancelamento, que transforma o debate em um ciclo de julgamentos imediatos e punitivos, muitas vezes sem espaço para a reflexão ou o aprendizado. A hipervigilância social, que transforma cada desvio de opinião em um motivo para boicotes e condenações, fragmenta o diálogo e impede a construção de pontes entre perspectivas divergentes.

Outro elemento que merece ser deixado para trás é a obsessão pelo consumo conspícuo. A exibição desenfreada de bens e experiências nas redes sociais reforça uma lógica de validação superficial, onde o valor do indivíduo é medido pela capacidade de ostentar status, e não pelo mérito ou pela contribuição real para a comunidade. Essa mentalidade fomenta a ansiedade e a insatisfação crônica, pois a busca incessante por aprovação digital acaba se tornando uma prisão emocional.

A virada de chave para 2025 nos oferece uma oportunidade ímpar de repensar os rumos de nossa cultura e de questionar os valores que realmente nos sustentam. É preciso deixar para trás a superficialidade de discursos vazios, a estética que se sobrepõe ao conteúdo, e a lógica do consumo desenfreado que nos afasta de uma vivência mais autêntica e significativa.

Mulheres que se limitam a uma performance de empoderamento sem profundidade, ambientes “instagramáveis” que privilegiam a aparência em detrimento da experiência, gurus digitais que vendem sonhos sem alicerce, sobremesas que encantam mais pelo visual do que pelo sabor, e a infantilização de discursos que forçam crianças a adentrar mundos para os quais ainda não estão preparadas , todos esses são exemplos de tendências que devemos deixar para trás.

Adicionalmente, é crucial resgatar o valor da educação formal e repensar a narrativa de que o sucesso pode ser alcançado sem a base sólida do conhecimento. Devemos também refletir sobre o culto às celebridades digitais e a cultura do cancelamento, buscando espaços para um diálogo mais construtivo e menos polarizado.

E o que você acrescentaria nessa lista? Talvez seja hora de também abandonar a lógica da comparação constante, que mede nosso valor em curtidas e seguidores, e abraçar uma cultura que valorize o ser humano pelo que ele é de verdade, não pelo que ele projeta online.

Que 2025 seja o marco de uma nova era, onde a autenticidade, a profundidade e a conexão real se sobreponham aos modismos efêmeros. Ao deixarmos para trás essas tendências superficiais, abrimos espaço para um futuro em que o verdadeiro valor das relações e do conhecimento prevaleça, conduzindo-nos a uma sociedade mais humana e consciente.

Trago fatos , Marília Ms

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