Que vergonha para Sergipe Del Rey! Alese aprova o "Dia do Conservadorismo", em homenagem a Olavo de Carvalho
Uma lei polêmica foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) e sancionada pelo governador Fábio Mitidieri, criando o "Dia Estadual do Conservadorismo", a ser celebrado anualmente em 24 de janeiro. A data escolhida coincide com o falecimento de Olavo de Carvalho, figura polêmica e ideólogo da extrema-direita brasileira. A iniciativa partiu do deputado Luizão Donatrampi, conhecido por suas posições ultraconservadoras. A aprovação da lei gerou grande repercussão e divisão na opinião pública sergipana.
O texto da Lei nº 9.529, sancionada no último dia 30 de agosto de 2024, prevê a inclusão da data no Calendário Oficial de Eventos do Estado. No entanto, a medida foi recebida com indignação por setores progressistas e pela sociedade civil, que enxergam na ação uma tentativa de enaltecer uma figura com histórico de declarações polêmicas, teorias da conspiração e uma ideologia que flerta com o autoritarismo.
Olavo de Carvalho, falecido em 24 de janeiro de 2022, foi um dos maiores expoentes do pensamento conservador no Brasil nos últimos anos. Figura central no surgimento da nova direita no país, ele era visto por muitos como um intelectual polêmico, enquanto outros o acusavam de fomentar divisões e propagar desinformação.
O fato de Sergipe, estado historicamente progressista em várias áreas, instituir um dia em homenagem ao conservadorismo e a Olavo de Carvalho acende um debate acalorado. Em um momento onde se busca mais unidade e discussão racional, a homenagem a uma figura tão controversa levanta questões sobre o papel da Alese e do governo estadual na promoção de valores e referências públicas.
A sanção da lei pelo governador Mitidieri gerou uma onda de críticas nas redes sociais e nas ruas de Aracaju. Movimentos sociais, acadêmicos, partidos de esquerda e entidades de direitos humanos reagiram duramente. “É um retrocesso que coloca Sergipe no centro do enaltecimento a uma figura que representa uma linha de pensamento que vai contra os princípios democráticos”, declarou uma representante da Frente Popular de Sergipe.
Por outro lado, setores conservadores e apoiadores da extrema-direita comemoraram a iniciativa. Para eles, o "Dia do Conservadorismo" representa a valorização de princípios como a família tradicional, o liberalismo econômico e o nacionalismo, bandeiras defendidas por Olavo. O deputado Luizão Donatrampi, autor do projeto, afirmou que “é preciso que o Brasil reconheça o valor do conservadorismo na construção da nação, e Sergipe, como estado vanguardista, sai na frente nesse reconhecimento.”
A sanção da lei por Fábio Mitidieri também foi alvo de críticas. Apesar de o governador tentar se manter distante de posições extremas, sua aprovação da medida é vista por muitos como um aceno ao conservadorismo sergipano. Alguns analistas políticos sugerem que Mitidieri busca apoio de setores mais à direita, pensando nas eleições futuras, onde a disputa por bases eleitorais conservadoras se torna estratégica.
No entanto, para seus críticos, a decisão é uma mancha no histórico de Sergipe, um estado que tem lutado pela defesa de valores democráticos e progressistas. "O governo estadual se curva a uma ideologia excludente e polarizadora, esquecendo os reais problemas do estado, como a pobreza e a educação", comentou um ativista local.
A criação de um "Dia do Conservadorismo" em Sergipe levanta perguntas cruciais sobre a direção ideológica que o estado está tomando. Em um cenário nacional marcado por polarizações políticas, muitos se perguntam se é este o caminho que o estado deseja seguir. O conservadorismo, enquanto filosofia política, tem seu espaço legítimo no debate público, mas homenagear uma figura polarizadora como Olavo de Carvalho, segundo seus críticos, pode dividir ainda mais a sociedade.
Em tempos de grandes desafios sociais e econômicos, é urgente que o governo e a Alese direcionem seus esforços para temas de interesse público, como saúde, educação e segurança, em vez de promover ideologias que podem ampliar a fratura social.
Sergipe Del Rey, que sempre foi um símbolo de diversidade e cultura rica, agora se vê em um impasse: como lidar com a crescente força de setores conservadores sem perder sua essência plural? Somente o tempo dirá como essa lei impactará o futuro político e social do estado.
Trago fatos , Marília Ms


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