Aluna nota mil : Quais são as consequências de ser uma aluna de excelência.
Ser aluna por si só já não é fácil, afinal, quantas lutas nós mulheres travamos para ser incluídas na educação? É crucial lembrar que, além das demandas acadêmicas, muitas vezes enfrentamos desafios emocionais significativos. Tenho a impressão de que mulheres e meninas são mais cobradas em relação aos estudos. Por que tanta pressão no período pré-vestibular? Ou mesmo no ensino fundamental, que deveria ser mais tranquilo e focar nos fundamentos da aprendizagem, as escolas insistem em assombrar os alunos com o ENEM, vestibulares, provas, simulados, etc.
Lidar com a pressão extrema de um sistema de ensino arcaico no Brasil é extremamente difícil, especialmente porque as expectativas elevadas podem causar um estresse significativo para manter um desempenho constante. Além da autoexigência excessiva, a autocobrança é um dos maiores desafios para o estudante, podendo levar a uma autocrítica intensa e à dificuldade em aceitar erros ou falhas, contribuindo muito para a ansiedade antes de provas importantes ou simulados cruciais para passar.
Priorizar os estudos em detrimento da saúde física, mental e emocional pode levar ao esgotamento. Já é difícil manter uma rotina de estudos sem se isolar socialmente, e quando digo se isolar, refiro-me ao foco intenso nos estudos que pode limitar o tempo para interações sociais, prejudicando a vida pessoal.
Mas, acreditem, o pior de tudo é o medo de não corresponder às expectativas futuras ou de perder oportunidades, o que pode ser uma fonte de ansiedade, especialmente porque algumas pessoas podem reagir negativamente ao sucesso acadêmico, criando um ambiente social desafiador e muito competitivo.
Pode haver pressão dos pais, professores ou colegas para manter um desempenho máximo, o que pode ser opressivo. Isso gera um certo desconforto em nós, estudantes, pois já nos preocupamos com tantas coisas além da vida acadêmica, e saber que podemos decepcionar alguém querido que confia tanto em nosso potencial é angustiante, especialmente quando nem nós mesmos acreditamos nele.
Ser aluna nota mil é algo que está apenas na ficção das escolas e educadores; claramente, ninguém é perfeito, muito menos os alunos. Não sei como começou essa geração saudável a querer estereotipar a forma como cada um estuda. Não existe um método de estudo 100% eficaz; cada um tem sua maneira de pensar, fazer e, obviamente, aprender.
Além de reformas estruturais no sistema educacional, como a valorização de métodos pedagógicos mais inclusivos, é crucial investir em educação emocional dentro das escolas. Programas que promovam o desenvolvimento da inteligência emocional, o suporte psicológico e a empatia entre os estudantes podem ajudar a mitigar os impactos negativos da pressão acadêmica. Estar consciente das próprias emoções, aprender a lidar com o estresse e desenvolver relacionamentos saudáveis são habilidades fundamentais para o bem-estar integral dos alunos.
Deixo um pequeno apelo a todos que convivem com estudantes: quando estiverem em um momento mais oportuno, em uma conversa casual, evitem falar sobre a vida acadêmica. Sejam mais empáticos; em vez de perguntar como está a faculdade e esperar que esteja bem, estejam cientes de que o psicológico desse universitário pode não estar bem, mesmo que a faculdade esteja.
Trago fatos , Marília MS


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